1970

by J.P.Simões

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released January 11, 2007

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about

J.P.Simões Lisbon, Portugal

J.P.Simões is a portuguese musician, singer-songwriter who also writes fiction and musical theatre. Is music and live performances are very well known and celebrated, especially in Portugal and Brasil. After playing with a lot of bands, such as Pop Dell'Arte, Belle Chase Hotel and Quinteto Tati, he´s now releasing is third solo album, "Roma". ... more

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Track Name: Fábula Bêbada
Fábula bêbada

Só quem saltasse o grande muro poderia ver no escuro o puro amor
E a cidade
Que venera novidades
Pôs-se aos saltos por aí
e foi tropeçar
bêbada
no seu bordel

Só quem saltasse o puro escuro poderia ver no muro o grande amor
E a cidade
Que venera novidades
Pôs-se às cegas por aí
e foi descambar
bêbada
na contramão

Só quem pudesse amar um muro ia andar assim no escuro a saltar
E a cidade
Que venera novidades
beijou prédios, vedações,
bancos, transacções,
bêbada
de construcções

Só quem amasse o escuro puro poderia ter um muro para saltar
e a cidade
que venera novidades
ergueu novas catedrais
naves espaciais
bêbada
de tanto céu

só quem amasse o puro salto lá do muro escuro e alto ia amar
e a cidade
que venera novidades
nunca pode resistir
teve de explodir
bêbada
até ao fim
Track Name: 1970 (Retrato)
1970 (Retrato)

A minha geração já se calou, já se perdeu, já amuou,
já se cansou, desapareceu,ou então casou, ou então mudou,
ou então morreu: já se acabou.

A minha geração de hedonistas e de ateus, de anti-clubistas,
de anarquistas, deprimidos e de artistas, e de autistas
estatelou-se docemente contra o céu.

A minha geração ironizou o coração, alimentou a confusão,
brincou às mil revoluções amando gestos e protestos e canções,
pelo seu estilo controverso

A minha geração só se comove com excessos, com hecatombes,
com acessos de bruta cólera, de mortes, de misérias, de mentiras,
de reflexos da sua funda castração.

A minha geração é a herdeira do silêncio, dos grandes paizinhos do céu,
da indecência, do abuso, e um belo dia esqueceu tudo e fez-se à vida
na cegueira do comércio.

A minha geração é toda a minha solidão, é flor de ausência, sonho vão,
aparição, presságio, fogo de artifício, toda vício, toda boca
e pouca coisa na mão.

Vai minha geração, ergue a cabeça e solta os teus filhos no esplendor
do lixo e do descuido, deixa-te ir enquanto o sabor acre da desistência vai
corroendo a doçura da sua infância.
Vai minha geração, reage, diz que não é nada assim, que é um lamentável engano, erro tipográfico, estatística imprecisa, puro preconceito, que o teu único defeito é ter demasiadas qualidades e tropeçar nelas.
Vai minha geração, explica bem alto a toda a gente que és por demais inteligente para sujar as mãos neste velho processo, triste traste de Deus,
de fingir que o nosso destino é ser um bocadinho melhores do que antes.
Vai minha geração, nasceste cansada, mimada, doente por tudo e por nada,
com medo de ser inventada, o que é que te falta agora que não te falta nada? Poderá uma pobre canção contribuir para a tua regeneração
ou só te resta morrer desintegrada?

Mas, minha geração, valeu a trapaça, até teve graça,
tanta conversa, tanta utopia tonta, tanto copo,
e a comida estava óptima! O que vamos fazer?
Track Name: O Vestido Vermelho
O vestido vermelho

Lá vai ele embora,
com o seu cachecol
eu sei bem que agora
tem outro amor
um tal jogador
de futebol.

Da casa do lado
ouve-se o relato
o clamor do estádio
onde ele extravasa
e eu estendo-me em casa
tiro os sapatos

pinto o cabelo
rio-me ao espelho
ponho o vestido vermelho
na esperança
de um golo
a nosso favor.

Cresce o jogo, avança
correm os heróis
para aguentar a dança
das frustrações
das multidões
de tudo o que mói

não digo o contrário
finjo acreditar
e estico o salário
compro o bilhete
para o camarote
faço o jantar

pinto o cabelo
rio-me ao espelho
ponho o vestido vermelho
na esperança
de um golo
a meu favor.
Track Name: Só mais um samba
Só mais um samba

Hoje ficas por casa
quase nem ousas lembrar,
mas a lua ainda te chama
como dantes, para dançar.
Já cruzaste oceanos
por caprichos de paixão,
foste deusa, foste bicho,
viste a festa, a fome, o fundo
do país do carnaval,
tira a máscara do tempo
e vem dançar
só mais um samba,
só mais um samba...

Tantas águas passadas
pesam tanto quanto o mar,
mas o tempo ainda reclama
outro tanto navegar.
São novíssimos dias,
novas vozes a cantar,
quero ver-te sem tristeza
como quando eras nobreza
no país do carnaval,
põe a máscara do sonho
e vem dançar
só mais um samba,
só mais um samba,

Só mais um samba,
só para lembrar,
só mais um samba
que eu quero voltar
ao começo da nossa
canção de amor
que nunca vai acabar.
Track Name: Inquietação
Inquietação (José Mário Branco)

A contas com o bem que tu me fazes,
A contas com os males porque passei,
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes.
São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas ouro em pó
Que o vento espalha

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, porquê não sei, porquê não sei
Porquê não sei ainda.

Há sempre qualquer coisa que está para acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber, porquê não sei ainda.

Ensinas-me a fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia:
Quantas promessas eu faria
se as cumprisse todas juntas.
Não me largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Para ficar pelo caminho.


Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, porquê não sei, porquê não sei
Porquê não sei ainda.

Há sempre qualquer coisa que está para acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber, porquê não sei ainda.

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, porquê não sei, mas sei
que não sei ainda.

Há sempre qualquer coisa que está para acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber, porquê não sei
Mas sei que não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver porquê não sei
Mas sei que essa coisa é que é linda.